Foto: Reprodução: Yuppie Américas Outubro
A inteligência artificial já faz parte da rotina de quase seis em cada dez pequenos negócios americanos. Em Atlanta, os empreendedores brasileiros investem em formação, relacionamento e salas cheias de oportunidade.
Luz azul, mesas brancas e um microfone passando de mão em mão. Em 16 de setembro, o Glacier Ice Bar & Kitchen recebeu a primeira edição do Diamond Circle, Brazilian Edition. A noite reuniu empreendedores brasileiros em Atlanta em torno de uma premissa enxuta: a sala certa muda tudo.
A frase soa quase provocadora num ano em que tanta coisa se resolve numa janela de chat. Afinal, se um aplicativo escreve, calcula e organiza, por que alguém atravessaria a cidade para apertar mãos?
Quantos pequenos negócios já usam inteligência artificial?
Os números ajudam a dimensionar a virada. De acordo com um relatório da U.S. Chamber of Commerce de agosto de 2025, 58% dos pequenos negócios americanos usam IA generativa. Um ano antes, eram 40%.
O mesmo levantamento traz, além disso, um dado menos comentado. Entre as empresas que adotaram a ferramenta, 82% ampliaram a equipe nos doze meses anteriores. Ou seja, a tecnologia chegou e as contratações seguiram em frente.
O que a tecnologia deixa nas mãos das pessoas
Gisele Gofman dirige a Brazilian-American Chamber of Commerce of the Southeast, a BACC-SE. Ela também assina a coluna Business da Yuppie Américas. Para a executiva, a IA tende a assumir tarefas, enquanto empresários e profissionais seguem indispensáveis.
Automatizar processos, organizar informações e produzir conteúdo já faz parte do cotidiano de milhares de marcas. Visão estratégica, criatividade, empatia e capacidade de negociar, contudo, permanecem no território humano. Nas palavras da colunista, “a Inteligência Artificial amplia a capacidade de execução. Mas a direção continua dependendo das pessoas”.
Daí nasce a provocação que Gisele lança ao leitor. Se amanhã todos os concorrentes tiverem acesso às mesmas soluções, o que continuará tornando o seu negócio único?
Com a adoção perto de seis em cada dez firmas, essa hipótese já descreve o presente. Portanto, quando o recurso é igual para todos, o diferencial migra para a confiança construída ao longo do tempo. E essa teia se tece pessoalmente.
Ferramentas que aproximam o cliente
Ainda assim, a tecnologia segue essencial. A própria edição traz um exemplo pensado para quem atende brasileiros nos Estados Unidos. Trata-se da Pagarva, que anuncia um aplicativo capaz de aceitar PIX e outros meios de pagamento, sem mensalidade e sem máquina.
Além disso, o critério de Gisele serve para avaliar qualquer novidade. Empresas que enxergam a IA apenas como corte de custos tendem a desperdiçar parte do potencial. Em contrapartida, ganha terreno quem investe o tempo liberado em estratégia e atendimento.
Um endereço para quem está começando
A House of AHC, da Atlanta Home Concierge, apresenta-se como um espaço onde brasileiros transformam ideias em realidade. A proposta mira justamente os empreendedores brasileiros em Atlanta. Seu anúncio na edição resume o desafio do empreendedor imigrante. Abrir as portas representa apenas o começo, já que crescer depende de acesso ao ambiente certo, a conexões, visibilidade e suporte.
O lugar, aliás, já serve de ponto de encontro. Em 17 de setembro, sediou o lançamento do AMMA, A Million Moms Abroad, iniciativa de Rejane Guerreiro para famílias no exterior. O cônsul-geral do Brasil em Atlanta, embaixador Pompeu Andreucci Neto, prestigiou a ocasião.
A sala e a máquina
O relatório da U.S. Chamber, a coluna de Gisele e a agenda de Atlanta contam, em suma, uma única história. A inteligência artificial acelera aquilo que cada negócio já domina. A comunidade, por outro lado, ensina o que falta e apresenta quem pode comprar, indicar ou investir.
Gisele sintetiza com precisão: “a tecnologia pode acelerar processos. Mas são as pessoas que continuam construindo negócios extraordinários”. Para os empreendedores brasileiros em Atlanta, enfim, o próximo passo cabe numa linha da agenda: escolher uma sala e aparecer.
LEIA A EDIÇÃO COMPLETA Na edição de outubro da Yuppie Américas Leia na íntegra os relatos de Silu Scheffer (Yuppie Américas), Angela Brodbéck (Yuppie Europa) e Sandra Thomazini (Yuppie Ásia), além das colunas de Paola Fässler, Thaís Conte e Roseli Costa sobre o tema. Acesse e leia gratuitamente aqui. |

